Salve Salve Pessoal!
Vou começar uma série de posts focada exclusivamente em Performance Tuning no Linux.
A ideia é abordar metodologias, conceitos fundamentais, livros e ferramentas, além de discutir como pensar em ajustes de performance de forma estruturada.
Introdução#
Depois da adoção em massa de virtualização, nuvem, containers e Kubernetes, vejo muito pouco se falando sobre ajuste de performance em sistemas operacionais. Algo que era bem comum no passado parece ter sido substituído pela ideia de que escalar horizontalmente é a solução padrão para qualquer problema.
Mas, antes de adicionar mais CPU, mais memória e mais recursos ao servidor, será que isso é realmente necessário? Será que sabemos, de fato, onde está o gargalo?
De forma geral, Performance Tuning (ajuste de desempenho) é o processo sistemático de otimizar sistemas e/ou aplicações para melhorar eficiência, previsibilidade e uso de recursos de hardware.
Não se trata apenas de “deixar mais rápido”.
Trata-se de:
- Reduzir latência
- Aumentar throughput
- Melhorar a estabilidade
- Eliminar desperdício de recursos
- Garantir previsibilidade sob carga
O processo normalmente envolve:
Definir objetivos: Estabelecer metas claras de desempenho e entender os requisitos de negócio (SLA, SLO, throughput esperado, latência aceitável, etc).
Identificar gargalos: Localizar os recursos críticos (CPU, I/O, memória, rede) que limitam o sistema.
Ajustar recursos/configurações: Modificar parâmetros do sistema, consultas, configurações de aplicações e/ou infraestrutura.
Testar e validar: Medir antes e depois, validar com metodologia e evitar conclusões precipitadas.
Repetir: O processo é contínuo, pois novos gargalos podem surgir após melhorias anteriores.
Metodologia#
Um dos métodos mais conhecidos é o USE Method, proposto por Brendan Gregg. Não esqueça esse nome, vamos falar muito sobre ele nesta série. 😁
USE significa:
- Utilization (Utilização)
- Saturation (Saturação)
- Errors (Erros)
Podemos ver o método USE no fluxograma abaixo.

A ideia é simples, mas é muito poderosa, basicamente para cada recurso dos nossos sistemas (CPU, memoria, disco, etc), precisamos verificar:
- Utilização
- Saturação
- Erros
Podemos encontrar maiores detalhes sobre o método USE no link abaixo:
https://www.brendangregg.com/usemethod.html
Também existe uma lista de verificação utilizando o método USE, criada pelo próprio Brendan Gregg, voltada para sistemas Linux:
https://www.brendangregg.com/USEmethod/use-linux.html
Gerenciamento das Alterações#
Algo que precisamos entender bem é que, ao trabalhar com ajustes de sistemas, nem toda alteração que fizermos surtirá efeito. Por isso, é fundamental seguir um processo rigoroso e bem definido.
Linha de base (Baseline): Antes de aplicar qualquer alteração, devemos medir o comportamento atual do sistema. Essa será nossa referência para comparação posterior.
Aplicar as alterações: Realizar mudanças em apenas um recurso ou parâmetro por vez, para que seja possível avaliar claramente o impacto da modificação.
Verificar as alterações: Analisar se a mudança produziu efeito, comparando os novos resultados com a linha de base.
Reverter as alterações: Retornar ao estado original após os testes. Isso aumenta a confiabilidade da análise e evita efeitos colaterais acumulados.
Aplicar de forma definitiva: Somente após validar os resultados, aplicar a alteração de maneira permanente.
Conclusão#
Esta foi apenas uma introdução ao tema. Performance Tuning exige método, disciplina e entendimento profundo do sistema.
Nos próximos posts, além de aprofundarmos nas metodologias e ferramentas, vou compartilhar alguns livros que considero fundamentais para quem quer realmente dominar performance em sistemas Linux.
Até o próximo post!
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Referências#
https://www.brendangregg.com/ https://www.brendangregg.com/usemethod.html https://www.brendangregg.com/linuxperf.html
